
Egon Kruse
História de vida
EGON KRUSE - (ALDO MIKAELLI)
Aldo Mikaelli era o nome artístico de Egon Kruse, filho de Elfriede Schnieder Kruse e Karl Friedrich Kruse, ambos nascidos na Alemanha e vindos ao Brasil como imigrantes. O casal se estabeleceu nos Campos Gerais, na cidade de Ponta Grossa e teve dois filhos, Ivone, casada com o advogado Joanino Eleutério e Egon. Já na juventude, Egon teve duas grandes paixões na vida. Uma delas era a música popular brasileira, sendo o rádio e a televisão seus veículos de difusão. Dedicou-se ao rádio desde sua juventude.
Durante algum tempo, Egon Kruse ingressou no serviço militar e serviu no 13º Batalhão de Infantaria Blindada (13º BIB), em Ponta Grossa. Está à direita na foto, ao lado de seu amigo Altair Coelho.

Aldo, como gostava de ser chamado, dedicou muitos de sua vida ao trabalho de representante comercial do Laboratório Climax S. A. Eram tempos difíceis, já que o Paraná estava para ser desbravado e as estradas eram de chão batido. Muitos medicamentos de nomes que se tornaram conhecidos eram vendidos por todo o Paraná, a exemplo da Nevralgina, Novalgina, Tiaminose, Acrosin. Para enfrentar as estradas de terra, a empresa disponibiliza automóveis Fusca para seus viajantes. Nem sempre os automóveis resistiam à dureza das viagens.
Mas a primeira paixão de Aldo era o rádio e a televisão. Iniciou sua jornada com o trabalho com Carlos Afonso Buch na RAF (Rede de Auto Falantes Campos Gerais), que era, então, "a voz de Ponta Grossa" (Woitowicz, Karina Janz (org), Recortes da Mídia Alternativa, Ponta Grossa: UEPG, 2009, p. 158). A primeira emissora em que trabalhou foi a Rádio Sant'ana, que iniciara suas operações em 9 de agosto de 1961.
No ano de 2008, Aldo escreveu sobre as transformações que ocorreram em Ponta Grossa (MIKAELLI, Aldo. Transformações de uma Cidade: Ponta Grossa - 185 anos. Ponta Grossa: Editora Gráfica Planeta Ltda., 2008). A dedicatória desta obra se dirige às noras Rubenita e Rosa, à irmã Ivone, esposa do Dr. Joanino Eleutério, e aos 8 netos, todos uns amores, como ele mesmo escreveu.

Como parte deste amor pela comunicação, Aldo escreveu alguns livros, dentre os quais uma obra de referência sobre a história do rádio AM de Ponta Grossa.
Aldo foi também ligado à televisão e trazia em seus programas a valorização dos artistas locais. A foto mostra as dependências da Rádio Clube de Ponta Grossa. Estão na foto, (em pé) Nilton Campos (Tinguera), Edson Ribeiro, Cintia Santos, Aldo Mikaelli e (sentados), Betinha Diniz e Nelson Ribeiro Chocolate.
Na foto seguinte, está Aldo Mikaelli diante do microfone para conduzir um dos seus programas.

Alguns comentários que Aldo fez pela internet registram as amizades e lembranças que ele tinha. Ele mesmo escreveu, em 13 de janeiro de 2014, a respeito do sr. Omar Leite Gondim:
"Sou Aldo Mikaelli. Nasci na rua Dr. Paula Xavier, 817, onde meu pai tinha um armazém de secos e molhados e o sr. Omar lá comparecia e sempre romântico, falava das estrelas do céu e, por incrível que pareça, encontrei sua foto e lembrei do seu nome, Omar Leite Gondim. Que saudades de reviver essa época tão gostosa, sem maldades, sem drogas e encontrar pessoas românticas. Naquela época, era até bastante comum." Por falar em amizades, entre os amigos do rádio de longa data estava o Abib Filho. Na foto, estão Aldo e Abib.

Gostava Aldo do samba e do samba-canção, do choro e da música brasileira de raiz. Na foto que segue, Aldo está pronto para participar de uma entrevista.
Também o estudante de comunicação da UEPG, João Quacquio, com edição de Nadine Sansana, entrevistaram Aldo por sua contribuição ao rádio e televisão pontagrossense. Na foto, aparecem radialistas de Ponta Grossa para falar, em evento da UEPG, sobre a história do rádio.
Caroline Belini registrou este evento da UEPG e escreveu:
Aldo Mikaelli abriu a palestra com a frase: “Nós fomos e somos apaixonados pelo rádio”. O radialista começou a trabalhar no rádio no ano de 1962, aos 16 anos, quando se ofereceu para um teste na Rádio Santana. Um mês antes da instalação da rádio na cidade, em abril, Mikaelli já estava contratado.
Autor de quatro livros sobre o desenvolvimento do rádio em Ponta Grossa, Mikaelli conta que demorou para começar a escrever livros. “Não sou escritor, mas fui levado a escrever. Quando percebi que era capaz, o fiz. Hoje é uma honra ter registrado um pouco da história do rádio”, escreveu Aldo. Quando questionado na palestra sobre a situação do rádio perante o surgimento da televisão, Mikaelli afirmou que a TV suplantou o rádio, mas não tirou a sua importância no dia-a-dia das pessoas. Naquela época, o radialista apresentava o programa “Alma Brasileira”, aos domingos, das 8h às 10h, na Rádio Central.
O vídeo da galeria é do Aldo Mikaelli Show. Há outros vídeos disponíveis em buscas no youtube.
A segunda grande paixão de Egon era o futebol. Jogava, sempre que podia, e sua posição era de zagueiro central. Aldo dedicou-se à organização do seu time de futebol amador, o Albatroz Esporte Clube.
Após anos dedicados à comunicação, Aldo sentia orgulho de organizar a festa anual dos radialistas, festas das quais, muitos participaram, já que eram eventos comemorativos e com intuito de valorização da profissão.
Na foto, Aldo Mikaelli numa das concorridas festas dos radialistas, ao lado do amigo Francisco Souto Neto. Em outro ano festivo, Aldo Mikaelli esteve com o empresário Ivo Luiz Burgardt, também já falecido.
Nesta outra, está ao lado do radialista e colunista Álvaro Andrade. No fundo da tela, Aldo preparava painéis que registravam a história das pessoas ligadas ao rádio pontagrossense. Em uma das ocasiões em que esteve em Maringá, Aldo foi até o Parque do Ingá e lá foi tirada este foto do orelhão em forma de onça pintada. Foto histórica porque a onça já não mais existe na entrada do parque e, tampouco, existem os orelhões, substituídos pelos telefones celulares.

Egon Kruse, o Aldo Mikaelli, faleceu vitimado por câncer em 2018. Encontrou o carinho e as condições de cuidado junto aos filhos em Maringá. Mas, sua saúde já estava muito debilitada por anos de luta contra a doença. Nos seus últimos anos, sofreu com muitas dores. Foi valente até o fim. Aldo encontra-se sepultado em Ponta Grossa, no jazigo da família. O evento de seu falecimento foi também noticiado pelos meios de comunicação.
No ano de sua morte, Aldo Mikaelli foi homenageado e premiado pelo Conselho Municipal de Política Cultural do Município de Ponta Grossa, Paraná.
Também no ano de seu falecimento, em 2018, na celebração do Dia do Radialista, ocorrida na Rádio Clube Pontagrossense, "em meio à comemoração, os cerimonialistas prestaram uma homenagem póstuma a uma das mais marcantes vozes de Ponta Grossa, Aldo Mikaelli. Aldo foi uma das mais influentes vozes da cidade, passando por diversas emissoras como Difusora, Clube e Central. Aldo Mikaelli faleceu no dia 12 de março deste ano devido a complicações decorrentes de um câncer. O filho de Mikaelli recebeu do Grupo MM, uma placa em agradecimento à contribuição de Aldo para o rádio."
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Mirian
“Ah, pai querido! Não te conheci muito bem por circunstâncias da vida, porém o pouco que conheci, foi suficiente para criar um laço contigo. Sinto muitíssimo pela dor e sofrimento que passou nos últimos anos. Tenho orgulho da história que deixou e mais importante, deixou registrada! Não há como voltar no tempo e por isso, fica o respeito e a imensa saudade, principalmente do que não vivemos como pai e filha. Espero que esteja bem, seja lá onde estiver. Aos meus irmãos queridos, que os vossos corações estejam bem, só cheios de saudades.”
08 de fevereiro de 2024
Erik
“Histórica fantástica”
17 de janeiro de 2025